Astounding

A era de ouro da ficção científica e a ausência da mulher

A era de ouro e a mulher

Em agosto de 2018 a escritora NK Jemisin subiu ao palco para ganhar o seu terceiro prêmio Hugo de forma consecutiva como o melhor romance do ano. Por ser uma mulher negra fez dessa sequência uma vitória histórica e contrapor a era de ouro da ficção científica e a ausência da mulher nesse período.

É um fato que não deveria ser mencionado, no entanto, nem sempre foi assim. Atualmente a mulher vem conquistando com muita luta e competência seu espaço nos mais variados meios.

A era de ouro da ficção científica e a ausência da mulher, entre os anos 1939 e 1950, privilegiava homens brancos e certamente alguns nomes serão reconhecidos:  Isaac Asimov, Robert A Heinlein, L Ron Hubbard, entre tantos outros. 

A era de ouro foi marcada por um futuro otimista numa época  em que o mundo real estava a beira de uma destruição. Foguetes, heróis, donzelas em perigo ameaçadas por seres de outros planetas eram  a marca do escapismo daquela literatura.

Nos dias atuais a ficção científica está presente em várias mídias. Serviços de streaming, como a Netflix estão recheados de temas da ficção científica e desfrutam de grande sucesso entre os amantes do gênero.

Mas, na era de ouro, a ficção científica estava longe dos holofotes exceto por Flash Gordon e Buck Rogers. A fama da era de ouro foi pavimentada pela escrita. Revistas como Astounding proliferaram e divulgaram o gênero que nasceu sob a ótica do homem branco e masculino.

Padrão homem branco por John W Campbell

Com a ajuda do escritor John W Campbell, que nasceu em 1910 em Newark, a era de ouro foi moldada sob a tutela do herói que salvaria o mundo, a galáxia ou o universo. Campbell tem um lugar de destaque na ficção científica, no entanto, algumas de suas visões são deploráveis.

Para Campbell os protagonistas deveriam ser homens brancos por padrão. Era anti-feminista e considerava a luta das mulheres por direitos iguais apenas como privilégios especiais. Disse uma vez: “Nenhuma mulher jamais alcançou a competência de primeiro nível em literatura em qualquer língua indo-européia”.

Esses comportamentos favoreceram a ideia de que ficção científica era um clube apenas para meninos e um clube de meninos brancos. O mundo que Campbell e vários escritores criaram perdurou por inúmeros anos. Apenas a partir da década de 60 algo começou a mudar.

O mundo criado por Campbell estava se tornando irrelevante e um novo tipo de ficção científica estava surgindo, apelidado de New Wave. A ficção científica New Wave abordou temas como sexo, gênero, drogas, pós-modernismo, política, entre outros.

As escritoras femininas emergiram das sombras para prosperar. Escritoras como Joanna Russ e Ursula K Le Guin ganharam destaque nesse período. Foi um período curto, até a década de 1970, no entanto, marcou uma nova era de valorização da mulher na ficção científica. 

Embora Campbell seja referenciado como um dos fundadores da ficção científica contemporânea, assim como os escritores Asimov, Heinlein e Hubbard, as mulheres romperam com a forma tradicional de fazer literatura.

E isso não quer dizer que a guerra está ganha, pois nos últimos anos há várias tentativas de sabotar a diversidade na ficção científica orquestrada por homens brancos. Por isso, a escritora Jemisin é uma figura tão importante para lembrar as mulheres o quanto elas são importantes para a manutenção da diversidade na Literatura.   

Trailer Flash Gordon

Trailer Buck Rogers

 

Via independent