Por que fazemos o que fazemos? Mario Sérgio Cortella explica

Por que fazemos o que fazemos?

Mario Sergio Cortella é um daqueles filósofos que desmistifica a linguagem dura da filosofia e para tanto utiliza recursos para amenizar as teorias mais complexas. Numa linguagem de professor, preocupado com o seu público, ele não mede esforços para que a maioria entenda as suas aulas e palestras. E no livro Por que fazemos o que fazemos? fica claro que deseja atingir muitas pessoas.

Por que fazemos o que fazemos? é essa a pergunta que afligem inúmeras pessoas nos dias atuais, para tanto, vamos fazer reflexões sobre o tema e destrinchar esses mistérios e o motivo do século XXI ser conhecido como o século da depressão.

Bateu aquela preguiça de ir para o escritório na segunda-feira? A falta de tempo virou uma constante? A rotina está tirando o prazer no dia a dia? Anda em dúvida sobre qual é o real objetivo de sua vida? Em Por que fazemos o que fazemos? o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella desvenda estas e outras preocupações com relação ao trabalho.  (Por que fazemos o que fazemos? (Mario Sergio Cortella, editora Planeta, 2016, 174 páginas)

Segundo o professor Mario Sergio Cortella tratar a vida com propósito remete a uma ideia do pensador Karl Marx que seria a recusa à alienação. De acordo com o Cortella: “Alienação é aquele que não pertence a si mesmo” (página 13).

Há para conceito alienação o pensamento do filósofo alemão Hegel que se remete a tudo o que eu faço, no entanto, não compreendo. Simplesmente uma ferramenta utilizada por outros para produzir algo sem entender os motivos dessa produção.

Qual o propósito do trabalho? Para a filosofia é uma ação transformadora na qual o indivíduo tem consciência. E essa ação é a que difere da ação dos animais cuja consciência não existe. Os gregos tinha essa definição na seguinte ideia: Quando a ação for consciente e não instinto da natureza é chamada de práxis.

Provérbios 6:6-8:“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio. Pois ela, não tendo chefe, nem guarda, nem dominador, prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento. O preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?
Um pouco a dormir, um pouco a tosquenejar; um pouco a repousar de braços cruzados; assim sobrevirá a tua pobreza como o meliante, e a tua necessidade como um homem armado”.

O professor Cortella explica que a natureza se opõe ao ser humano e ao se opor, nós a transformamos, portanto, devemos trabalhar para obtenção de recursos para sobreviver ou uma maneira de marcar a nossa presença no mundo que vivemos.

Com a alta tecnologia empregada nas indústrias e outros setores da economia o ser humano poderia trabalhar menos, aliás, no início a tecnologia foi pensada pra isso. Não é só isso e se toda riqueza produzida fosse repartida de forma igualitária possibilitando que o ser humano trabalhasse menos. Sabemos que não é isso que acontece, pois quem detém a riqueza acumula mais riqueza e aquele que não tem nada vende a sua força de trabalho para sobreviver.

Marx afirma em um de seus livros que a tecnologia possibilitaria que o homem trabalhasse apenas quatro horas e as outras vinte horas fosse dedicada ao lazer e convivência com a família. Segundo Cortella já chegamos a esse patamar na qual a tecnologia realiza inúmeras tarefas de modo que o ser humano pudesse ter mais momentos de lazer. Infelizmente não é isso que acontece. Sugiro como leitura a monografia defendida numa banca da Universidade Uniradial, hoje Universidade Estácio de Sá, na qual falo do sistema-bancario-tecnologia-e-sua-relacao-com-o-emprego.

Já se trabalha bastante, o que nós precisamos ter é uma máquina que nos poupe trabalho para ficarmos mais com a família. Paul Lafargue

Charles Chaplin no filme Tempos Modernos mostra o automatismo que a linha de montagem propõe reproduzindo continuamente os movimentos.  E de acordo com o Cortella a palavra robô vem do tcheco robota que significa escravo, ou seja, aquele que faz o que é mandado.

 

A segunda-feira é o dia internacional da preguiça e para mudar isso precisamos reinventar as razões pelas quais trabalhamos, ou seja, qual o seu propósito?

Vamos pensar sobre os propósitos. Se o propósito for apenas para ganhar dinheiro não adianta sofrer, no entanto, se o propósito for outro como marcar uma presença marcante ou o lugar é errado ou o ofício está errado, para tanto, deve-s repensar essas questões.

O grande dilema do século XXI é que os seres humanos querem o reconhecimento autoral do trabalho uma vez que nesse mundo altamente tecnológico não sabemos quem é o autor desse trabalho. A tecnologia possibilitou o partilhamento das tarefas e as pessoas querem o sentimento de autoria e não tenha a sensação de descartável ou que não é inútil.

As pessoas precisam de uma motivação para superar esses desafios do século XXI e uma frase antiga sintetiza o que é motivação. “Motivação é uma porta que só abre pelo lado de dentro.” A motivação, embora tenha o sentido de mover, movimentar, ela é uma percepção interior do sujeito, portanto, não devemos confundir motivação com estímulo.

Portanto, o reconhecimento de tarefas é o que motiva as pessoas, algo que não acontecem nas empresas que estão direcionadas apenas ao lucro. Há empresas que utilizam táticas de guerra para conseguir os altos índices de lucratividade e não medirá esforços para conquistá-los.

A obra Por que fazemos o que fazemos? não é só isso é uma reflexão intensa dos dias atuais e possibilita pensarmos sobre o que queremos do munda e suas complexidades. Há maneiras de viver nessa loucura toda? Acredito que sim, porém, não é uma tarefa fácil, afinal, recebemos uma intensa lavagem cerebral na qual nós devemos trabalhar sem parar e dedicar uma vida inteira para uma empresa que realiza os seus sonhos e deixam os nossos de lado.

Por que fazemos o que fazemos? é a reflexão que devemos fazer e discutir, portanto, convido você a deixar as suas impressões.

 

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Título: Por que fazemos o que fazemos?

Autor: Mario Sergio Cortella

ISBN: 9788542207415

Páginas: 174

Editora: Editora Planeta

Nota Skoob: 3,8

 

 

 

Até a próxima.

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