Frankenstein O Moderno Prometeu

Frankenstein

“Frankenstein” (Ediouro, 1998, 221 páginas), da autora Mary Shelley o livro revela o talento dessa escritora que numa reunião de escritores cria uma obra que por muito tempo vem sendo imitada e recriada por muitos.

Mary Shelley era filha de poeta e filósofo William Godwin e de Mary Wollstonecraft que é considerada a primeira feminista cuja influência orientou os primeiros movimentos de emancipação da mulher.

A vida de Mary Shelley foi repleta de acontecimentos tristes e de amores ilícitos, sua irmã se suicidou, Shelley teve um relacionamento com Percy Shelley que era casado. Assim que a esposa de Percy morreu Mary Shelley casou com Percy Shelley.

Os pais de Shelley eram bem relacionados entre os escritores o que possibilitou um passaporte para o convívio nesse meio e que facilitou as reuniões que eram frequentes entre os grandes poetas da época.

Numa dessas reuniões Mary Shelley foi instigada a escrever sobre uma história de terror e num grande devaneio ela cria essa obra fantástica considerada um romance de terror gótico.

O romance é narrado por meio de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã durante uma expedição náutica. Durante essa viagem é encontrado um moribundo chamado doutor Victor Frankenstein que ao ser recolhido ao navio relata suas aventuras.

Victor Frankenstein era estudioso das ciências naturais e se interessa pelos mestres alquimistas e se empenha em descobrir o segredo da geração da vida. A partir do conhecimento adquirido nesses estudos cria um ser gigantesco a custas de muito trabalho e dedicação.

Frankenstein não gosta da criação e resolve abandonar tudo. Recebe uma carta de seu pai relatando o falecimento de seu irmão William e a sua volta é exigida imediatamente. Na sua chegada a sua criada Justine, que era muito querida pela família, é acusada do assassinato, no entanto, Frankenstein se recusa a aceitar tal fato.

A morte de Justine é inevitável e o doutor Victor Frankenstein resolve ir atras de sua criação e o encontra e o considera surpreendentemente articulada e eloquente. O monstro conta sua história e como aprendeu a sobreviver, inclusive, com os insultos dos humanos que o consideravam uma aberração.

O monstra conta como matou o William e exigiu que fosse criada uma fêmea para ele promentendo, inclusive, deixar a humanidade em paz. Frankenstein resolve abandonar a ideia de criar uma fêmea considerando que apenas ele deveria pagar pelos seus atos.

O monstro assassina Elizabeth, esposa de Victor Frankenstein, e uma grande caçada começa até ser encontrado pelo navio do capitão Walton. Já bastante doente, doutor Victor Frankenstein,    morre e é encontrado junto ao seu leito de morte o monstro que prometeu ir ao extremo norte e morrer lá para deixar a humanidade em paz.

Por acaso pedi, Criador, que do barro

Me molsasses homem? Porventura solicitei

Que das trevas me erguesses?

John Milton, Paraíso perdido, X, 743-5

Enfim, é um livro fantástico criado por Mary Shelley aos dezenove anos e que sobrevive ao longo dos tempos com várias adaptações e recriações. Recomendadíssimo.

Boa leitura.