Casa de Pensão de Aluísio Azevedo

Determinismo da Casa de Pensão

Casa de Pensão (Editora Ática, 1999, 255 páginas) do escritor Aluísio Azevedo narra a história de um jovem Maranhense chamado Amâncio de Vasconcelos que vem para o Rio de Janeiro para cursar medicina.

Hospeda-se na casa de pensão de Luís Campos, amigo da família, que vivia com Dona Maria Hortência, sua esposa, e Dona Cadotinha, sua cunhada. Nessa pensão Amâncio conhece Paiva Rocha um amigo boêmio que leva a vida de forma despreocupada e cheia de extravagâncias.

Amâncio é um jovem cheio de sonhos e um deles é tornar-se médico e viver os deslumbramentos da corte. Antes de chegar ao Rio de Janeiro vivia sob as imposições do pai e a vinda para a capital do país foi o passaporte para a liberdade.

Na casa de Campos tem um flerte com Hortência e sua saída para outra pensão torna-se necessário para evitar conflitos. Conhece João Coqueiro, que possui uma pensão não muito confortável mas que servirá para seus propósitos.

Nessa pensão Amâncio tem todas as regalias que o dinheiro pode comprar e João Coqueiro vê uma oportunidade de lucrar com isso já que nosso estudante possui grandes somas em dinheiro.

Com artifícios nebulosos Coqueiro convence sua irmã que Amâncio pode ser o salvador da pátria e uma oportunidade para uma vida melhor. A pensão tornou-se um ambiente hostil para Amâncio, cheio de promiscuidades, que estava na mira da Amélia.

Apesar da moralidade pregada por João Coqueiro as armadilhas montadas para o jovem estudante contrastava com o ambiente essa moralidade. Amélia se oferecia ao jovem estudante para se casar com ele e se apossar de todo o dinheiro.

A fúria da Amélia aflorou quando descobriu que o estudante de medicina voltaria para o Maranhão a fim de visitar sua mãe doente. A sua preocupação era a possibilidade de Amâncio não voltar mais e conhecer outras mulheres.

Diante disso o demônio do ciúmes planejou uma armadilha e evitar sua partida. No dia da viajem Amâncio é preso e levado à delegacia para prestar esclarecimentos sob acusação de seduzir e enganar uma jovem mulher.

João Coqueiro prepara todo o plano e o delega ao Dr. Teles incumbido de condenar Amâncio por enganar uma pobre mulher. A imprensa dá grande destaque para essa notícia e os jovens estudantes do Rio de Janeiro ficam ao lado do estudante de medicina e após três meses de confinamento é libertado.

O maranhense é recebido com festas pelas ruas do Rio de Janeiro e carregado nos ombros como se tivesse ganhado uma partida e João Coqueiro é difamado pela cidade inteira pela trama nefasta que não deu certo.

É pressionado de todas as formas e de forma impensável pega um revólver e vai atrás de seu algoz e o encontra num quarto de hotel. E de uma forma vil impunha o revólver e dispara um tiro certeiro sem chances de defesa.

Amâncio de Vasconcelos cai morto e antes de fugir João Coqueiro é preso. A morte do estudante de medicina foi destaque nos jornais e um grande funeral é preparado com a presença de pessoas ilustres para por fim a essa tragédia.

 

DNA da Obra

Esse romance foi inspirado num caso real ocorrido no Rio de Janeiro entre os anos 1876 e 1877 em situação muito semelhante a narração de Aluísio Azevedo.

A linguagem empregada é cheia de detalhes, característica do estilo Naturalista, que deixa a leitura lenta. É narrada em terceira pessoa cujo narrador é onisciente e onipotente.

“Estudar uma das faces mais características e mais antipáticas da nossa sociedade – a vida em casa de pensão.”

É com base nessa afirmação que Aluísio estuda as influências da sociedade sobre as pessoas. Em suas obras retrata de forma detalhista a sociedade e traz para a literatura um lado diferente do Brasil.

Preconceitos de classe, injustiças sociais, miséria são temas abordados na obra e descreve a vida nas pensões que hospedam estudantes oriundos de várias partes do país. O determinismo aqui fortalece a construção dos personagens.

Percebi todos os componentes teóricos descritos acima, nos vinte e dois capítulos da obra Casa de Pensão e lembrei de Freud e seu determinismo e acredito que o ambiente pode influenciar o comportamento das pessoas como aconteceu com Amâncio.

É importante destacar que há exceções. Viver num ambiente notadamente ruim favorece o pior de cada um. Poucas pessoas conseguem viver num lugar caótico e blindar seu comportamento. Até o momento não tive uma explicação que demovesse essa ideia.

Acabei de lembrar do livro Crime e Castigo de Dostoievski que narra a história de Raskólnikov um jovem estudante, pobre e desesperado, vivendo num ambiente caótico que favorece o que há de mais horrível no ser humano.

Com isso não quero justificar as atrocidades dos seres humanos quero apenas debater ideias sobre os comportamentos humanos. O que você acha? O Ambiente favorece o comportamento das pessoas?

 

Leitura Recomendadíssima.

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ico_dominio_publico Casa de Pensão de Aluísio Azevedo